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A história do Natal

Nenhum evangelho informa o dia em que Jesus nasceu. A comemoração em 25 de dezembro aparece pela primeira vez em documentos romanos do século IV e se espalhou a partir dali; a data foi fixada por convenção da Igreja em Roma, não por registro histórico do nascimento.

Século IV

Um calendário romano compilado em 354 registra a celebração do nascimento de Cristo em 25 de dezembro, referindo-se a prática já existente em Roma na década de 330.

Duas hipóteses

A data teria vindo das festas solares do solstício ou de um cálculo a partir de 25 de março. Historiadores divergem até hoje.

Verão brasileiro

Transplantada para o hemisfério sul, a festa de inverno virou celebração de calor, praia e frutas da estação.

O que Roma celebrava no fim de dezembro

Dezembro era mês de festa no calendário romano. As Saturnálias, dedicadas a Saturno, começavam em 17 de dezembro e, no período imperial, se estendiam por vários dias: tribunais fechados, banquetes, troca de pequenos presentes — velas e figuras de barro, as sigillaria — e uma suspensão temporária das hierarquias, com escravizados servidos à mesa. Encerradas as Saturnálias, seguiam-se as Kalendae de janeiro, com votos de bom ano e presentes.

No mesmo período do ano crescia o culto ao Sol Invictus. O imperador Aureliano dedicou um templo ao Sol em 274, promovendo o culto ao patamar de religião imperial. Costuma-se afirmar que ele instituiu a festa do Natalis Solis Invicti em 25 de dezembro; a única menção antiga a essa data solar está justamente no calendário de 354, o mesmo documento que registra o Natal cristão — e é por isso que a relação de causa entre as duas festas é objeto de debate, e não fato assentado.

Duas explicações em disputa

HipóteseArgumento
História das religiõesA Igreja teria escolhido 25 de dezembro para dar sentido cristão às festas solares do solstício de inverno, muito populares em Roma. Explica bem a simbologia da luz que domina o Natal.
CálculoAutores cristãos dos séculos II e III associavam a Paixão a 25 de março e aplicavam a ideia de que profetas morriam no mesmo dia em que haviam sido concebidos. De 25 de março, mais nove meses, chega-se a 25 de dezembro. Explica por que a data aparece antes de a festa existir.
Ponto em comumNenhuma das duas depende de fonte que informe o nascimento real. Ambas tratam de uma escolha de calendário litúrgico feita séculos depois.

O 6 de janeiro continuou sendo a data do Natal em parte do Oriente cristão, e as igrejas que seguem o calendário juliano celebram o dia 25 de dezembro com defasagem em relação ao calendário civil. Detalhes do dia em si estão em 25 de dezembro.

Do presépio à árvore

A representação da cena do nascimento com figuras e animais vivos é atribuída a São Francisco de Assis, em Greccio, em 1223, e se difundiu pela Itália e pela Península Ibérica. A árvore decorada tem raiz germânica e ganhou a Europa no século XIX; o Papai Noel de roupa vermelha, derivado da figura de São Nicolau, consolidou-se na imagem popular ao longo do mesmo século, sobretudo nos Estados Unidos, e chegou ao Brasil já formatado.

Como a festa virou brasileira

O Natal desembarcou com a colonização portuguesa no século XVI: missa da meia-noite, presépios armados em casa e nas igrejas, cantorias e as folias de reis, que percorriam casas entre 25 de dezembro e 6 de janeiro. A ceia da noite de 24, o comércio de presentes e a decoração doméstica de luzes se firmaram entre o fim do século XIX e o século XX, junto com a urbanização e o pagamento do 13º salário, que passou a bancar boa parte das compras de dezembro.

A adaptação climática foi inevitável. Enquanto o hemisfério norte celebra no auge do frio, aqui a data cai poucos dias depois do início do verão, o que empurrou o cardápio para frutas frescas, saladas e pratos frios ao lado do peru assado, e transformou o 25 em dia de praia e almoço de sobras. Veja como isso se traduz na mesa em ceia de Natal.

Por que o Natal é comemorado em 25 de dezembro?

Os evangelhos não registram a data do nascimento de Jesus. A celebração em 25 de dezembro aparece documentada em Roma no século IV. Há duas explicações principais entre historiadores: a data teria sido escolhida por proximidade com as festas romanas do solstício de inverno, ou calculada a partir de 25 de março, data associada à concepção de Jesus. As duas hipóteses seguem em debate.

O Natal substituiu as Saturnálias romanas?

As Saturnálias eram celebradas em Roma a partir de 17 de dezembro e, no período imperial, se estendiam por vários dias, com banquetes, troca de pequenos presentes e inversão de papéis sociais. A proximidade de calendário é fato, mas a ideia de substituição direta é uma interpretação de historiadores, não um registro antigo.

Como o Natal chegou ao Brasil?

O Natal chegou com a colonização portuguesa no século XVI, na forma de missa da meia-noite, presépios e festas populares de matriz ibérica, como as folias de reis. A árvore iluminada, os cartões e o Papai Noel se popularizaram bem mais tarde, entre o fim do século XIX e o século XX, por influência europeia e norte-americana.

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