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Campanha de saúde · dezembro

Dezembro Laranja

Criada em 2014 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a campanha Dezembro Laranja chama atenção para o câncer de pele — o tipo mais frequente no Brasil — justamente no mês em que começa o verão.

Por que dezembro?

Com o início do verão, a exposição ao sol aumenta, e com ela o risco acumulado de lesões causadas pela radiação ultravioleta. O câncer de pele responde por cerca de um terço dos diagnósticos de câncer no país, segundo o INCA — e, detectado cedo, tem altíssimas chances de cura.

Dezembro é o mês de maior exposição solar do calendário brasileiro: o sol nasce cedo e se põe tarde, o verão começa por volta do dia 21, as escolas entram em recesso e o litoral enche. A campanha aproveita esse pico para falar de prevenção no momento em que o comportamento de risco está acontecendo, e não meses depois.

Os tipos mais comuns

O câncer de pele se divide em dois grandes grupos. Os não melanoma — carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular — são de longe os mais frequentes, crescem devagar e costumam aparecer justamente nas áreas que mais pegam sol ao longo da vida: rosto, orelhas, couro cabeludo sem cabelo, colo, dorso das mãos e antebraços. Tratados cedo, têm índice de cura muito alto. O melanoma é bem menos comum, mas é o mais grave: nasce nos melanócitos, pode surgir de uma pinta antiga ou de uma lesão inteiramente nova e tem potencial de se espalhar se não for retirado a tempo. É para ele que serve a regra ABCDE.

Regra ABCDE: sinais para observar em pintas

AAssimetria — uma metade diferente da outra
BBordas irregulares, mal definidas
CCor variando dentro da mesma lesão
DDiâmetro maior que 6 mm
EEvolução — mudança de tamanho, forma, cor ou sangramento

Feridas que não cicatrizam em 4 semanas também merecem avaliação. Ao notar qualquer um desses sinais, procure um dermatologista ou uma unidade de saúde. O autoexame é simples: uma vez por mês, diante do espelho, com boa luz, percorrendo também costas, nuca, couro cabeludo, entre os dedos e as plantas dos pés — regiões que raramente se olha e onde lesões passam despercebidas por muito tempo.

Fotoproteção no verão brasileiro

Como usar o protetor solar

Errar na quantidade é mais comum do que errar no fator. A proteção anunciada no rótulo pressupõe uma camada generosa e uniforme; espalhar pouco produto derruba o efeito real bem abaixo do FPS impresso na embalagem.

Índice UV e as horas de pico

O índice ultravioleta mede a intensidade da radiação que chega ao solo numa escala que começa em 1 e, no verão brasileiro, alcança com frequência a faixa classificada como extrema, de 11 para cima. O valor acompanha a altura do sol no céu, o que concentra o risco entre 10h e 16h — perto do meio-dia, a mesma exposição rende uma dose de radiação muito maior do que no fim da tarde. Três fatores aumentam ainda mais essa dose: altitude, proximidade do equador e superfícies refletoras. Areia clara, água e concreto devolvem parte da radiação para cima, e é por isso que se queima na praia mesmo debaixo da barraca.

Quem precisa de atenção redobrada

O risco é maior para quem tem pele, olhos e cabelos claros e se queima antes de bronzear; para quem tem muitas pintas ou casos de melanoma na família; para quem já tratou um câncer de pele; e para quem trabalha ao ar livre — lavradores, pescadores, ambulantes, carteiros, profissionais de obra —, acumulando exposição diária ao longo de anos. Peles negras e pardas também desenvolvem câncer de pele: o risco é menor, mas o diagnóstico costuma chegar mais tarde, e as lesões aparecem com frequência em regiões pouco expostas ao sol, como palmas das mãos, plantas dos pés e a região das unhas. O autoexame vale para todo mundo.

Conteúdo informativo, sem substituir consulta médica. Durante a campanha, a SBD costuma divulgar mutirões gratuitos de avaliação de pele — acompanhe os canais oficiais da sociedade e da sua prefeitura.

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